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Arquivos Mensais:maio 2009

Resolver o problema da fome não depende só dos países em desenvolvimento

 

Em 1974, durante a Conferência Mundial sobre Alimentação, as Nações Unidas estabeleceram que “todo homem, mulher, criança, tem o direito inalienável de ser livre da fome e da desnutrição…”. Portanto, a comunidade internacional deveria ter como maior objetivo a segurança alimentar, isto é, “o acesso, sempre, por parte de todos, o alimento suficiente para uma vida sadia e ativa”.

Isso quer dizer que acesso ao alimento é uma condição necessária, mas ainda não suficiente; sempre e não só em certos momentos, tem que ser por parte de todos. Não bastam que os dados estatísticos sejam satisfatórios, é necessário que todos possam ter essa segurança de acesso aos alimentos, é importante também que o alimento seja suficiente tanto do ponto de vista qualitativo quanto quantitativo.

as causas da fome no mundo são várias, não podem ser reduzidas a uma só. entre elas podem ser citadas:

As monoculturas: o produto interno bruto (PIB) de vários países depende, em muitos casos, de uma cultura só, como acontecia, até meados da década de 30, com o Brasil, cujo único produto de exportação era o café. Sem produções alternativas, a economia desses países depende muito do preço do produto, que é fixado em outros lugares, e das condições climáticas para garantir uma boa colheita

Dívida externa: conforme a Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a dívida está paralisando a possibilidade de países menos avançados de importar os alimentos dos quais precisam, ou de dar à própria produção agrícola o desenvolvimento necessário. A dívida é contraída com os bancos particulares e com Institutos internacionais como o Fundo Monetário e o Banco Mundial. Para poder pagar os juros, tenta-se incrementar as exportações. Em certos países, 40% do que se arrecada com as exportações são gastos somente para pagar os juros da dívida externa. A dívida, infelizmente, continua inalterada ou aumenta.

Conflitos armados: o dinheiro necessário para providenciar alimento, água, educação, saúde e habitação de maneira suficiente para todos,durante um ano, corresponde a quanto o mundo inteiro gasta em menos de um mês na compra de armas. Além disso, os conflitos armados presentes em muitos países em desenvolvimento causam graves perdas e destruições em seu sistema produtivo primário.

Desigualdades sociais: a luta contra a fome é, em primeiro lugar, luta contra a fome pela justiça social. As elites que estão no governo, controlando o acesso aos alimentos, mantêm e consolidam o próprio poder. Paradoxalmente, os que produzem alimento são os primeiros a sofrer por sua falta. Na maioria dos países, é muito mais fácil encontrar pessoas que passam fome em contextos rurais do que em contextos urbanos.

Quando um país vive numa situação de miséria, podemos dizer que, praticamente, todas essas causas estão agindo ao mesmo tempo e  estão na origem da fome de seus habitantes. Algumas delas dependem da situação do país, como o regime de monocultura, os conflitos armados e as desigualdades sociais. Elas serão eliminadas, quando o país conseguir um verdadeiro desenvolvimento. Mas outras causas já não dependem do próprio país conseguir em desenvolvimento, e sim da situação em nível internacional. Refiro-me às condições desiguais de troca entre as várias nações, à presença das multinacionais, e ao peso da dívida externa. Isso quer dizer que os países em desenvolvimento, não conseguirão sozinhos vencer a miséria e a fome, a não ser que mudanças verdadeiramente importantes aconteçam no relacionamento entre essas nações e  as mais industrializadas.

 

“Muitos países da América Latina e Caribe avançaram de maneira significativa para atingir o primeiro Objetiv de Desenvolvimento do Milênio, que é erradicar a extrema pobreza e a fome. Uma dessas ações é a Iniciativa ‘America Latina e Caribe sem Fome’, lançada inicialmente pelo Brasil e pela Guatemala com o escritório regional da FAO. É um esforço de países comprometidos com a necessidade urgente de combater a fome, de organismos que compreendem o enorme preço da pobreza extrema e suas conseqüências, de empresas que assumem sua responsabilidade social e de pessoas que confiam na possibilidade de solucionar esse problema definitivamente”
FAO
 

Má distribuição de renda e falta de incentivo podem resultar em um povo violento e sem cultura

 

Segundo levantamento do IBGE em parceria com o Ministério da Cultura, 87% dos brasileiros nunca foram ao cinema. Mas isso não é o pior. Segundo a mesma pesquisa, 92% dos brasileiros jamais visitaram um museu. Mas restam duas perguntas: quais os reflexos da exclusão cultural e como fazer uma inclusão?
A professora Vânia da Silva, especialista em História da Arte e Mestra em Ciências da Comunicação, explica: "O maior problema da exclusão cultural é a falta de repertório, de cultura e de conhecimento. Diria, até, falta de educação. A inclusão cultural deveria começar na própria escola, tanto a particular como a pública. Não deveriam colocar tantos empecilhos para a criança, desde o início, visitar um museu ou ir ao teatro".
Segundo dados do IPEA, do IBGE e do Ministério da Cultura, somente 4,2% das prefeituras brasileiras têm estruturas específicas para gerir a cultura. Mais de 75% dos municípios não contam com centros culturais, museus, teatros e cinemas. Além disso, boa parte da população nunca acessou a internet.
A concentração da renda vai implicando mais e mais na questão do entretenimento, da diversão, dos hábitos e práticas e do lazer. Atualmente, a hierarquia econômica e a divisão de classes sociais significam, também, a divisão social do entretenimento e da diversão, pelo simples fato de que nunca antes a diversão esteve tão vinculada ao dinheiro, ao consumo. É a capacidade de gastar e de consumir que abrem as portas ao divertimento, o que discrimina o acesso social à prática.  As coisas não se passavam assim, com tal clareza e intensidade há algumas décadas. Mas, hoje, a conexão está mais do que explícita: as vítimas da exclusão social estão automaticamente "barradas no baile".
Tudo hoje é pago. E aí está o problema. No Brasil, o sujeito de classe média é obrigado a bancar a escola particular dos filhos. Depois que as escolas públicas se mostraram inviáveis, não tem como custear, também, a diversão deles. Vez por outra, uma pizza, um show ou uma ida ao cinema. E este sujeito é, sem dúvida, um privilegiado, levando-se em conta a tremenda miséria nacional. Acontece que, ao contrário do que muitos pensam, diversão não é simplesmente uma coisa supérflua. É necessária a qualquer pessoa sã. Mas, como comida e educação vêm em primeiro lugar, adeus entretenimento.
A classe média, em regra geral, adota uma postura resignada. Sofre em silêncio sua frustração. Engole a amargura em drama contido e silencioso. Outros, não. Partem para exercer, de qualquer modo, o seu direito de viver plenamente, tal como a mídia o define: na base do exercício imprevisto de sua liberdade individual. Não pode consumir? Rouba, toma, extorque, expropria. É o seu modo de participar, também, ainda que do lado de fora da festa. E o que fazer diante disso? Prender essas pessoas, construir mais presídios ou levar realmente a sério, de uma vez por todas, o que já vai correndo o risco de se converter em clichê para sossegar consciências culpadas, que é a chamada "inclusão social"?

O que é fazer faculdade? É assumir um copromisso com o mundo academico, mas por incrível que pareça alguns dos meus melhores trabalhos foram feitos fora da faculdade. Em uma mesa de bar, com amendoins e cerveja (sim cerveja!)
Uma vez, uma professora pediu para, em grupo, fazermos um documentário sobre o tema: drogas na infância, beleza, eu e um amigo meu fomos (depois da aula) no bar mais próximo pedimos uma porção de amendoins e cerveja, e começamos a discutir sobre o trabalho. Demorou um tempo para sintonizarmos nossa criativaidade, mas após algumas garrafas de cerveja e vários amendoins, as ideias começaram a fluir.
Várias ideias diferentes surgiram na nossa simpática reunião, mas a que levamos mais a sério foi uma mistura de jornalismo investigativo com uma reportagem convencional regada a entrevistas.
Pronto! A idéia da nossa pauta já estava ali. Entre as garrafas de Skol, vamos entrevistar alguém que vive na cracolândia, filmar escondido o “horário de pico”, onde os drogados se reunem para ver se flagramos alguma criança. Não podemos nos focar na parte ruim, temos que mostrar o outro lado. Beleza! Vamos conversar com um professor de escolinha de futebol de algum bairro humilde para ver como ele prepara as crinaças para enfrentar esse grande problema… várias idéias iam surgindo, e eu não confiando na minha memória fraca, fui anotando tudo o que falavamos.
Lindo! Nossa pauta já estava terminada. Agora faltava correr atrás das fontes. Por onde começar? Óh dúvida cruel. Pegamos uma filmadora e antes de virmos para a faculdade (por volta das 18h 30m) passamos de carro na cracolândia (para quem não sabe, fica quase em frente a estação da luz) e rapidamente comecei a filmar escondido. Na esquina da crcolândia, um flagrante, cerca de 20 pessoas de cara no muro com as mão para cima sendo revistados por policiais, estes não perceberam nossa presença, e o que aconteceu? Agressão, sim, os policiais iam revistando e batendo nas pessoas que não aparentavam ser marginais, mas sim pessoas humildes que acabaram de sair do trabalho.
Logo na esquina a cracolândia estava “bombando”. Homens, mulheres, jovens, velhos, adultos e crianças. Todos reunidos pela droga. Uma cena horrivel. DifÍcil de descrever. Filmamos rapidamente e fomos para a faculdade.
No dia seguinte estavamos no centro da cidade, na rua General Osório, quando passou um menino que no dia anterior tinhamos avistado na cracolândia. Chamamos ele para conversar. É dificil conversar com alguém desse “outro mundo”. Muitas vezes nós não os vemos, eles são uma espécie de pessoa invisivel. Compramos um almoço para ele (que não comia há uns dois dias..) e começamos a entrevista. Filmamos tudo (com o consentimento dele). Foi intenso.
Começamos a edição dos videos. Mas eis que lembramos do professor de escolinha. Fomos em uma escolinha la em Perus, onde entrevistamos um simpático professor que nos atendeu de prontidão. Pronto. Já inhamos todo o material necessário para a nossa reportagem.
Claro, de volta ao bar proximo a faculade, ligamos nossos notebooks e começamos a editar os videos. Cortamos algumas falas, colocamos alguns efeitos e pronto! Após algumas idas ao bar, nosso documentário estava pronto.
Não posso esquecer de citar que nunca perdi aula no bar, afinal as aulas são mais importantes que a Skol, mas numa mesa de bar, naquele clima descontraído, as ideias vem com mais facilidade.

O Jornalismo cidadão é a forma que a mídia encontrou de dar voz para a massa, satisfazendo assim a necessidade de comunicação, inerente do ser humano. Como o próprio nome diz, trata-se de jornalismo, ou seja, a expressão de um fato, de um acontecimento (e nesse ponto não podemos nos esquecer dos valores-notícia), e o que a massa publica nem sempre é interessante.

O citizen journalism (jornalismo cidadão) é um tema bastante polêmico, que deveríamos dar mais atenção, pois podemos nos surpreender futuramente com esse jornalismo open source.

Na maioria das vezes, o conteúdo desse novo tipo de jornalismo é bem tedioso, mas as vezes aparece alguém que realmente tenha o que falar, com embasamento, e com valores-notícia agregados, e talvez o  mais importante, de utilidade pública, mostrando assim o verdadeiro jornalismo.

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