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O que é fazer faculdade? É assumir um copromisso com o mundo academico, mas por incrível que pareça alguns dos meus melhores trabalhos foram feitos fora da faculdade. Em uma mesa de bar, com amendoins e cerveja (sim cerveja!)
Uma vez, uma professora pediu para, em grupo, fazermos um documentário sobre o tema: drogas na infância, beleza, eu e um amigo meu fomos (depois da aula) no bar mais próximo pedimos uma porção de amendoins e cerveja, e começamos a discutir sobre o trabalho. Demorou um tempo para sintonizarmos nossa criativaidade, mas após algumas garrafas de cerveja e vários amendoins, as ideias começaram a fluir.
Várias ideias diferentes surgiram na nossa simpática reunião, mas a que levamos mais a sério foi uma mistura de jornalismo investigativo com uma reportagem convencional regada a entrevistas.
Pronto! A idéia da nossa pauta já estava ali. Entre as garrafas de Skol, vamos entrevistar alguém que vive na cracolândia, filmar escondido o “horário de pico”, onde os drogados se reunem para ver se flagramos alguma criança. Não podemos nos focar na parte ruim, temos que mostrar o outro lado. Beleza! Vamos conversar com um professor de escolinha de futebol de algum bairro humilde para ver como ele prepara as crinaças para enfrentar esse grande problema… várias idéias iam surgindo, e eu não confiando na minha memória fraca, fui anotando tudo o que falavamos.
Lindo! Nossa pauta já estava terminada. Agora faltava correr atrás das fontes. Por onde começar? Óh dúvida cruel. Pegamos uma filmadora e antes de virmos para a faculdade (por volta das 18h 30m) passamos de carro na cracolândia (para quem não sabe, fica quase em frente a estação da luz) e rapidamente comecei a filmar escondido. Na esquina da crcolândia, um flagrante, cerca de 20 pessoas de cara no muro com as mão para cima sendo revistados por policiais, estes não perceberam nossa presença, e o que aconteceu? Agressão, sim, os policiais iam revistando e batendo nas pessoas que não aparentavam ser marginais, mas sim pessoas humildes que acabaram de sair do trabalho.
Logo na esquina a cracolândia estava “bombando”. Homens, mulheres, jovens, velhos, adultos e crianças. Todos reunidos pela droga. Uma cena horrivel. DifÍcil de descrever. Filmamos rapidamente e fomos para a faculdade.
No dia seguinte estavamos no centro da cidade, na rua General Osório, quando passou um menino que no dia anterior tinhamos avistado na cracolândia. Chamamos ele para conversar. É dificil conversar com alguém desse “outro mundo”. Muitas vezes nós não os vemos, eles são uma espécie de pessoa invisivel. Compramos um almoço para ele (que não comia há uns dois dias..) e começamos a entrevista. Filmamos tudo (com o consentimento dele). Foi intenso.
Começamos a edição dos videos. Mas eis que lembramos do professor de escolinha. Fomos em uma escolinha la em Perus, onde entrevistamos um simpático professor que nos atendeu de prontidão. Pronto. Já inhamos todo o material necessário para a nossa reportagem.
Claro, de volta ao bar proximo a faculade, ligamos nossos notebooks e começamos a editar os videos. Cortamos algumas falas, colocamos alguns efeitos e pronto! Após algumas idas ao bar, nosso documentário estava pronto.
Não posso esquecer de citar que nunca perdi aula no bar, afinal as aulas são mais importantes que a Skol, mas numa mesa de bar, naquele clima descontraído, as ideias vem com mais facilidade.

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